A iluminação ideal para cada ambiente

7 de dezembro de 2020 em  Dicas

Além dos móveis, acabamentos e objetos de decoração, a iluminação é fundamental para tornar um ambiente perfeito.

A luz tem o poder de transformar ambientes. Ela é responsável pela percepção e a sensação que se tem em um espaço. Ao definir a iluminação de um projeto é preciso levar em conta a proposta do ambiente e considerar que, apenas com luzes diferentes, ele pode ganhar ares completamente diferentes. Errar nesta hora pode tornar o local, além de mal iluminado, frio e impessoal, por não ter suas qualidades valorizadas.

A arquiteta e urbanista Priscilla Porfírio explica que existem diversos tipos de iluminação, desde a mais simples as mais sofisticadas e criativas. Os principais tipos são direta, indireta, difusa, de destaque, de tarefa, decorativa e para áreas externas, onde o índice de proteção é maior e mais seguro que os demais.

Ela ressalta que é possível encontrar peças de embutir, semiembutidas, no-frame (sem borda), de sobrepor, pendentes, lustres, balizadores, postes, arandelas, luminárias de piso e de mesa, leds que formam um cenário de iluminação no gesso ou em marcenarias.

A iluminação difusa é quando a luz não incide em um único foco, mas ilumina o ambiente por completo. Um exemplo são as luzes no teto. A indireta é a que faz parte da decoração do ambiente, com menores focos de luz, criadas, por exemplo, por abajures e luminárias de piso. Já spots, arandelas e pendentes são modelos que trazem a luz focal, que ilumina um objeto ou uma área específica.

A importância da iluminação

Especialista em Design de Interiores e pós-graduanda em Neuroarquitetura, termo popular para a Neurociência aplicada à arquitetura, Juliana Affini conta que um dos tópicos de seus estudos é a “luminotécnica”. A arquiteta explica que a Neurociência estuda o cérebro e o comportamento humano. Com base nisso, é possível criar um projeto com uma iluminação mais saudável, que proporciona maior bem-estar e qualidade de vida.

“Ao fazermos um projeto luminotécnico para o cliente levamos em consideração não só as luzes no ambiente, mas, também, telas de notebooks e celulares. Consequentemente, diminuiremos o estresse causado pelo excesso de luz e longas horas de exposição”, afirma.

Ana Paula Caramico, arquiteta do Departamento de Incorporação da Perplan, diz que a iluminação tem papel fundamental nos projetos de arquitetura, Design de Interiores e paisagismo.

Ela revela que um bom projeto luminotécnico possibilita criar o clima de cada ambiente, integrar ou fazer separações entre ambientes de usos distintos, valorizar mobiliários e peças de arte e, ainda, fornecer o nível de luminância adequada a cada tipo de uso dos espaços.

“O mais importante é conhecer o tipo de uso e as preferências pessoais de quem utilizará cada ambiente, criando espaços funcionais, aconchegantes e valorizando detalhes da arquitetura e da decoração”, reforça Ana Paula Caramico.

Priscilla Porfírio fala que, do seu ponto de vista, a elaboração de um projeto arquitetônico de uma residência, seja ela casa ou apartamento, começa pela criação em cima das linhas do terreno, colocando toda a criatividade e a experiência no papel, pensando na linearidade, no fluxo, no conforto, na harmonia que aquele ambiente ou fachada impactará na vida do cliente.

A arquiteta explica que, mesmo com a casa mais espetacular e moderna, se a iluminação não entrar no projeto, destacando os elementos pensados, as estruturas, os revestimentos, entre outros elementos, o resultado não será o mais adequado ao cliente.

Então, a estrutura de iluminação, além de ter a função de clarear os ambientes de forma adequada, também valoriza os elementos de destaque, deixando o espaço mais aconchegante, mais acolhedor, dando vida ao projeto.

Espaços comerciais e de trabalho

A iluminação de um ponto comercial é importante e faz parte da venda dos produtos ali comercializados ou dos serviços oferecidos – desde a fachada, que convida o cliente para entrar, até o caixa, onde ele, depois de escolher levar ou não o produto, fará o pagamento.

Em um imóvel comercial, como uma loja de roupas, a iluminação do espaço das araras, das roupas expostas deve estar da maneira correta, ou seja, valorizando o produto. Porém, se o provador não estiver com uma iluminação frontal, como deve ser, e uma temperatura de cor adequada, pode distorcer a visão real do produto para o cliente e ele decidir não levá-lo.

Em espaços de trabalho, a iluminação impacta, diretamente, no humor, na produtividade, na irritabilidade e até no cansaço das pessoas. É importante definir qual a temperatura de cor a ser usada, o tipo de luminária e a necessidade que o ambiente possui.

Em residências, há ambientes com funcionalidades distintas, com áreas de descanso e relaxamento e de serviços e trabalho, etc. Caso a iluminação não esteja dentro das melhores opções, ela pode causar insônia, irritabilidade, desconforto, sentimentos não satisfatórios.

Uma luz para cada ambiente

Existem inúmeras formas de iluminar um ambiente residencial ou comercial. No entanto, os melhores resultados acontecem com a contratação de um profissional especializado. A iluminação de cada ambiente deve sempre ser escolhida de acordo com o projeto de cada pessoa, personalizado para as necessidades e preferências dos clientes.

Para cada ambiente é necessária a elaboração de projetos luminotécnicos diferentes. Em um banheiro, ter tanto a luz quente como a fria traz inúmeros benefícios. Por exemplo, para a mulher que faz maquiagem, a possibilidade de ter as duas torna mais fácil enxergar a tonalidade da maquiagem que está colocando.

A arquiteta Juliana Affini conta que, em seus projetos, usa luz focal em quadros e obras de arte, em paredes de destaque. E que adota a luz indireta de arandelas atrás de sofás, para que na hora que a TV seja ligada não haja reflexos e isso atrapalhe os olhos ao assistir.

A luz dimmerizada é usada para criar um ambiente mais confortável. Ao escolher a iluminação para cada ambiente é importante ter em mente a função daquele espaço e sempre priorizar sua funcionalidade.

Priscilla Porfírio salienta que, em seus projetos, a escolha da iluminação também varia de cliente para cliente. Ela explica que, em residências, um dos primeiros pontos a se observar é se o espaço terá forro de gesso ou não. Em caso positivo, há a opção de usar perfis de led, o que permite “desenhar” formas geométricas ou lineares. As sancas são para iluminação indireta, deixando o espaço aconchegante e acolhedor. Focos de luz na decoração ou no papel de parede deixa o ambiente cênico e harmonioso.

Em situação na qual não há forro de gesso, pode-se pensar na localização exata dos pontos fixos para que não fiquem desalinhados ou descentralizados no ambiente. Atualmente, há diversos tipos de luminárias sobrepostas que também darão uma funcionalidade e estética interessantes, conta a arquiteta. 

As vantagens da luz natural 

Quanto à iluminação natural, Juliana Affini ressalta que é algo essencial, e que em seus projetos visa trazer tanto economia como maior qualidade de vida a seus clientes quando trata deste item. Ela valoriza o ambiente quando se substitui cortinas de tecido pesado por outros mais leves, fluidos e com alguma transparência.

Em ambientes internos, o uso da claraboia – uma abertura no alto das construções, usada para permitir a entrada de luz natural e de ventilação – pode ser uma boa ideia.

Além de ser um elemento a mais no projeto arquitetônico, ela traz outra vantagem – a economia de energia, pois com o aumento da iluminação natural diminui-se o consumo de eletricidade.

As claraboias são, comumente, instaladas em locais onde não há janelas, como escadas, corredores e halls, mas podem ser colocadas em outros espaços, como a cozinha, a sala, o banheiro e, até mesmo, o quarto.

Existem diferentes modelos de claraboia disponíveis no mercado. Uma das mais comuns consiste na instalação de um material semitransparente no teto. Há os tipos tubular, um sistema de reflexão de luz; a fixa, que não permite ventilação, apenas iluminação; e o modelo domo, que tem formato de cúpula em material translúcido.

Outra opção ousada e moderna é o telhado de vidro. O ambiente receberá luz natural e ainda terá uma vista incrível do céu.

Dicas de iluminação da arquiteta Ana Paula Caramico

-Dê preferência por lâmpadas quentes para as salas e dormitórios e frias para cozinhas e banheiros. 

-As lâmpadas de led merecem especial atenção no momento da compra. Uma marca mais reconhecida e que apresente selo de eficiência, certamente, garantirá maior qualidade de iluminação e maior durabilidade. 

-Utilize a tecnologia dimmer. Com ela você pode reduzir em nível quase imperceptível a iluminação, mas estará prolongando a vida útil da lâmpada e gerando economia na conta de luz.

 –As lâmpadas fluorescentes são ideais para ambientes nos quais permanecerão acesas por longos períodos. Mas nos casos em que são acesas várias vezes ao longo do dia, o consumo de energia acaba sendo maior, devido ao pico no momento do acionamento.

 –Para jardins e vasos é importante verificar a sombra que será projetada pela vegetação. Uma iluminação direcional poderá gerar uma sombra mais marcada. Dependendo do porte da planta, pode ser indicada uma iluminação mais difusa, dando um efeito mais suave.